25 de set. de 2021
Como ficar rico sem contar com a sorte - Naval Ravikant
Naval Ravikant é um investidor anjo indiano-americano, muito conhecido por sua trajetória de sucesso em investimentos iniciais em startups como Twitter, Uber, Wish, e uma série de outros negócios dos quais lhe permitiram alavancar não só o seu capital, mas também a sua influência no meio.
Naval utiliza o Twitter para compartilhar os mais variados insights sobre empreendedorismo, investimentos, liberdade financeira, e desenvolvimento profissional/pessoal.
Foi dessa forma que nasceu o twitterstorm How to Get Rich (without getting lucky), ou, como ficar rico sem contar com a sorte, uma valiosa lição sobre liberdade financeira, a qual você poderá conferir a sua tradução na íntegra a seguir.
Busque riqueza, não dinheiro ou status. Riqueza é possuir ativos que ganham enquanto você dorme. Dinheiro é como transferimos tempo e riqueza. Status é o seu lugar na hierarquia social.
Compreenda que a criação de riqueza ética é possível. Se você secretamente desprezar a riqueza, ela irá iludi-lo.
Ignore as pessoas jogando jogos de status. Elas ganham status atacando pessoas jogando jogos de criação de riqueza.
Você não vai ficar rico alugando seu tempo. Você deve possuir a equidade, uma parte de um negócio para ganhar sua liberdade financeira.
Você vai ficar rico, dando à sociedade o que ela quer, mas ainda não sabe como conseguir. Em escala.
Escolha uma indústria onde você pode jogar jogos a longo prazo com pessoas de longo prazo.
A Internet ampliou maciçamente o possível espaço de carreiras. A maioria das pessoas ainda não descobriram isso.
Jogue jogos iterados. Todos os retornos na vida, seja em riqueza, relacionamentos, ou conhecimento, vêm de juros compostos.
Escolha parceiros de negócios com alta inteligência, energia e, acima de tudo, integridade.
Não faça parceria com cínicos e pessimistas. Suas crenças são auto-realização.
Aprenda a vender. Aprenda a construir. Se você pode fazer ambos, você será imparável.
Arme-se com conhecimento específico, responsabilidade, e alavancagem.
Conhecimento específico é o conhecimento no qual você não pode ser treinado. Se a sociedade pode treiná-lo, ela pode treinar outra pessoa, e substituir-te.
O conhecimento específico é encontrado perseguindo sua curiosidade genuína e paixão ao invés do que o que quer que esteja quente agora.
Construir conhecimento específico irá sentir como jogar consigo mesmo, mas irá parecer como trabalho para os outros.
Quando o conhecimento específico é ensinado, é através de estágios, não de escolas.
Conhecimento específico é muitas vezes altamente técnico ou criativo. Ele não pode ser terceirizado ou automatizado.
Abrace a responsabilidade, e tome riscos de negócio em seu próprio nome. A sociedade irá recompensá-lo com responsabilidade, equidade e alavancagem.
As pessoas mais responsáveis possuem marcas singular, pública, e de risco: Oprah, Trump, Kanye, Elon.
“Dê-me uma alavanca tempo suficiente, e um lugar para ficar, e eu vou mover a terra.” — Arquimedes
Fortunas requerem alavancagem. Alavancagem de negócios vem de capital, pessoas e produtos sem custo marginal de replicação (código e mídia).
Capital significa dinheiro. Para arrecadar dinheiro, aplique seu conhecimento específico, com responsabilidade, e mostre bom julgamento como resultado.
Trabalho significa pessoas trabalhando para você. É a mais antiga e mais lutada forma de alavancagem. A força de trabalho vai impressionar os teus pais, mas não desperdices a tua vida a persegui-la.
O capital e o trabalho são alavancagens permissionárias. Todo mundo está perseguindo o capital, mas alguém tem que dar a você. Todo mundo está tentando liderar, mas alguém tem que te seguir.
O código e a mídia são alavancagens permissionárias. Eles são a alavancagem por trás dos novos ricos. Você pode criar software e mídia que funcione para você enquanto você dorme.
Um exército de robôs está disponível livremente, é embalado apenas em centros de dados para a eficiência do calor e do espaço. Use-o.
Se você não pode codificar, escreva livros e blogs, grave vídeos e podcasts.
Alavancagem é um multiplicador de força para o seu julgamento.
Julgamento requer experiência, mas pode ser construído mais rápido ao aprender habilidades fundamentais.
Não há nenhuma habilidade chamada “negócio”. Evite revistas de negócios e aulas de negócios.
Estude Microeconomia, teoria dos jogos, psicologia, persuasão, ética, matemática e informática.
Ler é mais rápido do que ouvir. Fazer é mais rápido do que assistir.
Você deve estar muito ocupado para “fazer café”, enquanto mantém um calendário organizado.
Defina e imponha uma taxa horária pessoal de aspiração. Se corrigir um problema irá economizar menos do que a sua taxa horária, ignore-o. Se a terceirização de uma tarefa vai custar menos do que a sua taxa horária, terceirize.
Trabalhe o mais forte que puder. Mesmo que você trabalhe, com quem você trabalha e no que você trabalha é mais importante do que o quão duro você trabalha.
Torne-se o melhor do mundo no que você faz. Continua redefinindo o que você faz até que isso seja verdade.
Não há esquemas para enriquecer rapidamente. É apenas outra pessoa enriquecendo através de você.
Aplique conhecimento específico, com alavancagem, e eventualmente você terá o que merece.
Quando você finalmente ser rico, você vai perceber que não era o que você estava procurando, em primeiro lugar.
Mas isso é para outro dia…
***
Se gostou deste post e quiser aprender mais sobre investimentos, leia também: A fórmula da liberdade financeira
19 de set. de 2021
A fórmula da Liberdade Financeira
Se você come mais do que gasta, você engorda. Se você gasta mais do que come, você emagrece.
É extremamente simples, mas, em cima disso, milhões foram
gastos com dietas milagrosas, livros, cursos, clínicas de emagrecimento etc., e o pior:
QUASE NINGUÉM EMAGRECEU!
Mas por que tanta gente pagou tanto para ser enganado e não
emagreceu? PORQUE A REALIDADE É DURA.
Aceitar que para emagrecer você terá de fazer exercícios e
comer menos PARA O RESTO DA VIDA é duro. É melhor acreditar que existem fórmulas
mágicas, dietas milagrosas e soluções passageiras.
Com a liberdade financeira (enriquecimento) é exatamente o
contrário do emagrecimento, ou seja, você tem de produzir mais do que gasta e
poupar mais. E o melhor, é que há ainda duas vantagens em relação ao emagrecimento:
- É mais fácil enriquecer do que emagrecer.
- Há os Juros Compostos. Não existem juros compostos no emagrecimento.
Você só emagrece em progressão aritmética, mas pode, depois
de algum tempo, enriquecer em progressão geométrica.
Para enriquecer, você precisa gastar menos do que produz,
com a vantagem de poder investir o que sobra. Eis portanto a fórmula da Liberdade Financeira:
Liberdade Financeira = (Ganhos — Gastos) * Juros no TEMPO
TEMPO está em maiúsculas, para frisar sua enorme participação no processo de enriquecimento. É de suma importância deixar o Tempo agir sobre os
investimentos alcançar a liberdade financeira. Importante notar também que na fórmula dos
juros compostos o tempo é exponencial, sendo, portanto, o fator mais importante
para acelerar o enriquecimento.
A fórmula se chama de Liberdade Financeira que é o que
realmente importa. Não importa o quanto se é rico, mas que o patrimônio
acumulado forneça liberdade para se fazer uma caminhada numa tarde qualquer, aprender
algo novo, visitar outros países, começar um novo negócio, não ter que se preocupar com dívidas e muito
menos com o governo.
Fortunas também foram feitas com a venda de planos de riqueza, quando a coisa, na verdade, é bem simples: quanto você ganha, menos quanto você gasta é o que sobra no fim do mês e que pode ser investido, poupado. Isso, multiplicado pelos juros compostos através do tempo, será a riqueza de cada um.
Infelizmente, assim como no emagrecimento, a maioria das pessoas prefere ser enganada ou se enganar por não querer aceitar a realidade de que o enriquecimento é resultado de mais trabalho, menos gastos, mais poupança e mais investimento.
Isso dá trabalho e leva tempo. A grande maioria prefere um método fácil e rápido de enriquecer; daí os charlatões e estelionatários nunca deixarem de ter clientes.
Olhando para a fórmula, parece bem simples. Realmente é, mas o problema é que entre o dinheiro e a liberdade financeira existe um fator fundamental: O SER HUMANO!
Entre as milhares de teorias sobre riqueza, entre as milhares de fórmulas, entre todos os planos, estratégias e consultores e até entre essa fórmula simples acima e a riqueza real há o grande problema: o ser humano.
Fórmulas não produzem riqueza.
Livros não produzem riqueza.
Métodos não produzem riqueza.
Fundos, bancos, açôes, títulos não produzem riqueza.
Cursos não produzem riqueza.
Consultores não produzem riqueza.
O QUE PRODUZ RIQUEZA É O SER HUMANO, TRABALHANDO e
POUPANDO!
ENTENDENDO A FÓRMULA DA LIBERDADE FINANCEIRA:
Como a Liberdade Financeira (riqueza) é produto dos juros através do Tempo sobre o que sobra no fim do mês e é poupado, o que podemos fazer para acumular mais patrimônio?
- Ganhar mais;
- Gastar menos;
- Aumentar a taxa de juros que incide sobre nosso capital acumulado;
- Aumentar o tempo que o capital fica acumulado, pois mais tempo significa mais juros.
Ganhar mais não é fácil, mas à medida que acumulamos patrimônio, vamos nos tornando menos escravos de contas e temos mais capital e tempo para investirmos em nós mesmos, em nossa formação, em novos negócios e podemos ganhar mais. De certa forma, esses também são juros compostos.
O maior responsável pela riqueza é o trabalho. Claro que temos que aprender a cuidar do nosso dinheiro, a investir, mas o que vai realmente trazer enriquecimento é focar no trabalho, na formação, e conseguir ir aumentando os aportes mensais
Gastar menos é a parte mais fácil da equação. Mas
ninguém precisa viver como um monge e abrir mão de tudo. Há formas razoáveis e
racionais de se gastar menos. O interessante, e que também é, de alguma forma,
juros compostos. Quanto mais você ganha e quanto mais capital tem acumulado,
mais fácil é gastar menos, pois o gastar menos aqui é em relação ao que você
ganha, ou seja, o importante é sobrar com a parte da fórmula (Ganhos — Gastos).
Quanto mais você ganha, menos você tem de abrir mão para que
sobre no fim do mês, além do outro lado fantástico do poupador: o capital que
você acumula também produz renda e pode ser reaplicado, mais uma vez
funcionando como juros compostos.
Aumentar a taxa de juros que incide sobre o capital
acumulado é bem mais complexo e na verdade nem deve ser tentado. Quando você
busca um retorno maior sobre o seu capital, e é aqui que muitos se perdem, o
risco de perdas aumenta junto. Não existe mágica com dinheiro; os retornos
sempre correspondem aos riscos. Apesar de aumentar a taxa de juros ser um fator
que pode aumentar o acúmulo de capital, não devemos buscar taxas acima da
realidade, pois isso inclui alto risco e possibilidade de perdas.
O segredo não está nas taxas, não é à toa que todos só falam
nela, o segredo está no valor. Preocupe-se que teus investimentos tenham valor
pois assim conseguirá ficar mais tempo neles o que produz muito mais patrimônio
no final do que taxas. Na fórmula dos juros compostos a taxa multiplica, o
tempo é exponencial. Multiplica por 5 da 25, exponencial por 5 da 3125! Taxa
nunca vai ganhar de TEMPO. Nunca!
O conceito de valor é complexo e difícil de absorver.
Títulos do Governo de longo prazo tem valor como renda fixa, produtos de banco pequenos
que prometem altas taxas normalmente não. Nas ações as de boas empresas têm
valor, as de empresas ruins não. Imóveis bem localizados tem valor nominalmente.
E assim por diante.
Abandone o conceito de taxa, preços, lucros, e vá
compreendendo valor. Isso é fundamental para seu enriquecimento. Carregue valor
por muito tempo e aporte todo mês. Isso é o que leva a tranquilidade
financeira.
Aumentar o Tempo que o capital fica acumulado, pois
mais tempo significa mais juros compostos. Quanto mais longo for o
investimento, mais juros ele receberá terminando com mais patrimônio. Na
fórmula dos juros compostos a taxa multiplica, mas o Tempo é exponencial, sendo
o que mais multiplica os juros compostos.
Fique o máximo de tempo em valor, pois isso significa mais
patrimônio. Você não precisa vender seus investimentos nem realizar lucros para
ser rico e ter uma boa vida. No fim, o que queremos é viver bem e tranquilos da
renda que nosso capital produz, sem ter de vender o principal. Quanto mais
tempo, mais juros e mais capital.
Se quiser aprender mais sobre liberdade e tranquilidade financeira, leia também: A Filosofia Bastter de Acumular Patrimônio.
***
Este post é uma adaptação de um trecho do livro Eu Quero Ser Rico, escrito pela Bastter.com, que você pode adquirir através da Amazon clicando aqui.
11 de set. de 2021
O que são criptomoedas
O que são criptomoedas?
Quais as vantagens das criptomoedas?
O que é blockchain e como funcionam as criptomoedas?
Quer saber mais sobre criptomoedas?
- Bitcoin - A moeda na era digital; por Fernando Ulrich
- BITCOINOMICS: Uma História de Rebeldia; por Daniel Duarte
9 de out. de 2020
A filosofia Bastter de Acumular Patrimônio – Bastter
A filosofia de acumular patrimônio defendida pelo Bastter, um dos melhores propagadores do método Buy & Hold no Brasil, consiste basicamente em: trabalhar e estudar, não fazer dívidas, criar uma reserva financeira e realizar aportes mensais em ações de boas empresas. E tudo isso é com o único intuito de obter uma maior tranquilidade financeira e pessoal, ou seja, ter mais paz e menos stress. O enriquecimento virá por tabela.
É por isso que, antes de abordar cada um dos pilares da filosofia Bastter, é fundamental que o pequeno investidor entenda primeiro o que ele está fazendo e onde quer chegar. Acumular patrimônio requer planejamento e comprometimento. Não adianta nada traçar um plano, por mais simples e objetivo que ele possa ser, sem que haja disciplina para colocar em prática o que diz a estratégia.
Porque acumular patrimônio, não tem mistério. Você só precisa gastar menos do que ganha, e o que sobrar; fica por conta dos juros ao longo do tempo. Qualquer um pode seguir essa fórmula. É assim que os indivíduos em uma sociedade economicamente livre acumulam patrimônio desde quando a primeira troca foi feita entre os homens. Funcionou ontem, funciona hoje e vai funcionar amanhã.
Mas se é tão simples assim, por que poucas pessoas conseguem? Porque no papel é simples, difícil é fazer o que deve ser feito. É igual dieta. Todo mundo planeja uma dieta. Para perder peso, é só gastar mais calorias do que se consome que no final vai dar tudo certo. Entretanto, a maioria não emagrece. Planejar é muito simples, colocar a dieta no papel é o mais fácil. Difícil é se alimentar melhor, deixar de comer besteira, fazer exercícios e etc.
Então a única forma do pequeno investidor de se sair bem, é trabalhando para ganhar alguma coisa, e ter disciplina para aplicar o que sobrar depois dos gastos todo mês. Estudar é um fator de suma importância, porque se você aprende a fazer várias coisas de forma competente, a tendência é que as pessoas te paguem mais por isso, e ganhando mais, sobra mais para investir e acumular patrimônio.
O plano é esse: tem que sobrar todo mês e investir o que sobra para fazer a mágica dos juros compostos funcionar. Claro, vai ter meses que não sobra, porque aconteceu isso e aquilo, mas tudo bem, o importante é que se tenha disciplina para colocar a estratégia dos aportes mensais em prática.
E só lembrando, o objetivo principal é ter paz e saúde, pois sem isso é impossível acumular qualquer outra coisa. Para ser uma pessoa melhor, no trabalho, nos estudos, nos investimentos, e ser útil para a sociedade de alguma forma, você precisa ter saúde e tranquilidade. A riqueza virá por consequência, e não através de milagres oferecidos por gente picareta. Aliás, quanto antes acabarmos com essa ilusão de que existe fórmula mágica em que uma fortuna aparece na conta bancária do dia para a noite, melhor! Se existe formula mágica, quem a possui não vai sair por aí te oferecendo.
E claro, sempre tem as exceções. Tem milhares de biografias contando como fulano ficou bilionário. Tem também aquela pessoa que ganhou na loteria. Tem a que ganhou uma boa herança, o que se casou com alguém bem de vida e tudo mais. Mas a realidade é dura. Não podemos contar com as exceções, e muito menos com a sorte. Na real, fazemos parte daquela maioria que precisa matar um dragão todo santo dia para colocar comida na mesa. E quanto mais baixo nos encontramos na hierarquia que invariavelmente habitamos, maior é o stress o que gera uma maior propensão a doenças e ao envelhecimento precoce.
Apenas para resumir: para acumular patrimônio é preciso disciplina para fazer sobrar e aplicar o que sobra todo mês. E o objetivo principal de tudo isso é ter uma melhor qualidade de vida, com mais tranquilidade e saúde.
1. DÍVIDAS
Bom, e como começar de fato? Por experiência própria, todo mundo já deve saber que é impossível construir qualquer coisa em meio às dívidas.
O problema é que mesmo sabendo disso, somos tentados a fazer novas dívidas, e o pior, comprando coisas que não precisamos, com dinheiro que não possuímos, e tudo isso com o único intuito de agradar pessoas que não dão a mínima.
Claro, sempre tem aquelas dívidas que são feitas por extrema necessidade, quando batemos o carro e precisamos pagar o concerto no cartão, ou quando fazemos um empréstimo para custear o tratamento de uma doença, e por aí vai… já adiantando o que iremos tratar no próximo tópico, é exatamente para isso que serve o acúmulo de patrimônio. Pois é na hora de enfrentar os problemas, que a tranquilidade financeira faz toda a diferença.
Enfim, o ponto é: independentemente de como acumulamos dívidas, o importante é interromper esse ciclo, pagando as existentes e não fazendo novas, a não ser que você consiga fazer uma única dívida para negociar as existentes a juros mais baixos. Procure renegociar com os credores, pois eles querem receber de qualquer jeito, se for preciso, venda tudo que for desnecessário para quitar o mais rápido possível suas dívidas. Chega de compras parceladas no cartão de crédito, e cheque especial. Quanto menos tempo você levar para quitar as dívidas, mais cedo se torna uma pessoa livre e consciente, financeiramente falando.
Se não possui quaisquer dívidas, parabéns! Já pode se considerar um ser humano e partir para o próximo passo, que é construir uma reserva financeira, ou reserva de emergência, que como o nome já diz, tem o propósito de te proteger em situações adversas.
2. RESERVA FINANCEIRA
Sabe seus gastos mensais? Água, luz, internet, telefone, alimentação, combustível, e etc. Digamos que você é pego de surpresa e descobre que irá deixar de receber a sua renda mensal, ou seja, tudo aquilo você ganha por mês, por um motivo qualquer, deixou de existir nesse momento.
A primeira preocupação será “meu deus, como vou fazer para honrar meus compromissos?”. Você perdeu o emprego e no lugar de se preocupar em encontrar uma nova oportunidade, ou estudar para aprender algo novo, ou até mesmo começar o seu próprio negócio, você irá gastar tempo e energia pensando nas contas. Ou pior ainda, se você ou um familiar adoece, e ao invés de procurar o melhor tratamento, já imaginou desperdiçar tempo e energia com contas?
O pequeno investidor não pode ser pego de surpresa. Digamos que você tem o equivalente a 2-3 salários acumulados, não faz o menor sentido investir essa quantia em qualquer coisa que seja. Se você resolve investir esse dinheiro é muito provável que não irá dispor dele de imediato em uma situação de emergência, além disso vai acabar perdendo alguma coisa pra sair do investimento pagando taxa e intermediário, isso se conseguir sair...
Repito, o pequeno investidor, não pode ser pego de surpresa. Ele é pequeno! Primeiro, que ele não pode arriscar todo o dinheiro que sobra no fim do mês; esse é justamente todo o patrimônio que possui. E segundo que, se surgir algum imprevisto, uma reserva de emergência será de extrema importância.
Portanto, a regra é de ouro da reserva financeira é ter em poupança ou até mesmo em conta corrente uma quantia que seja o suficiente para cobrir seus gastos mensais por um período de no mínimo 6 meses, pois dessa forma temos uma margem de tempo e dinheiro para superar alguma adversidade com certa tranquilidade.
Não é pra olhar a rentabilidade da poupança! Sempre vai ter alguém que se acha o fera dos investimentos para dizer “ah mas a poupança perde para a inflação, é melhor investir nisso e naquilo”. Mas aqui o importante não é a rentabilidade, mas sim a disponibilidade. Quando você precisar da reserva financeira é pra ir no caixa eletrônico e sacar, ou entra no app do banco para fazer a TED na hora. Reserva de emergência já diz tudo, é pra emergência!
Se você colocar sua reserva financeira em renda fixa, por exemplo, em títulos do tesouro que é o ativo mais popular nesse caso, se acontecer algo e você precisar da grana, vai ter que pagar mais taxas e impostos por sair antes do vencimento do título, e ainda vai precisar aguardar 2-3 dias úteis para dispor do dinheiro na conta corrente, isso se o tesouro direto não estiver suspenso. Se for em renda variável, pior ainda! Fora a corretagem, vai ser preciso vender os ativos a preço de mercado. No final das contas, o fera neném dos investimentos, que não faz reserva de emergência, termina é mais pobre, porque ficou girando patrimônio toda hora, enriquecendo intermediário e o governo.
Por isso, o pequeno investidor deve começar pela reserva financeira. Parte daquilo que sobra todo mês deve ficar na sua conta corrente, ou poupança. E quando precisar, é simples, você vai lá saca e resolve o problema. Reserva de emergência significa isso: menos stress, o que por tabela rende mais paz e saúde.
Agora que você já entendeu, que não pode ter dívidas e precisa de uma reserva de emergência que venha ao seu socorro quando mais precisar, vejamos então a questão dos aportes mensais, o terceiro e último passo.
3. APORTES MENSAIS – NO QUE INVESTIR
Depois que a reserva financeira chegar ao valor ideal, aquele dinheiro que sobra todo mês precisa ser aplicado de forma correta caso queira construir um patrimônio de forma sadia e sem grandes preocupações.
Há várias possibilidades de aplicações, entretanto a ordem mais simplificada para diversificar seus aportes consiste em: 1) aportar em renda fixa, através da compra de títulos do tesouro direto, e; 2) depois que você estiver satisfeito com o patrimônio aplicado em renda fixa, aí pode destinar os novos aportes em renda variável, através da compra de ações de boas empresas, e bons fundos imobiliários;
Depois de um certo tempo, é possível diversificar ainda mais, comprando moedas, ouro e até mesmo imóveis, mas isso tudo é quando o pequeno investidor já não é tão pequeno assim. Então de início, basta aplicar em renda fixa através dos títulos e em renda variável com ações de boas empresas, além dos fundos imobiliários.
Por que começar pela renda fixa?
É simples, o patrimônio alocado em renda fixa vai servir como uma espécie de colchão para a nossa burrice/loucura, porque não adianta nada entrar de cara na bolsa, sair comprando ações de toda espécie para quando na primeira queda, já bater o desespero e vender tudo na baixa. Porque é isso que a grande maioria faz na bolsa. Compra na alta e vende na baixa. E o pior, é que quem erra geralmente não assume a própria burrice e culpa Deus e o mundo, fala que a bolsa é casino, que o mercado é manipulado, que o capitalismo é perverso, dentre outras desculpas esfarrapadas que mal servem para esconder a realidade. Aí o perdedor vai atrás de outro rolo, outra ilusão, de ficar rico, de não sei o que lá do 0 ao milhão, da nova pirâmide que dessa vez não é pirâmide, e perde outra vez, e de novo e de novo, sempre girando patrimônio, enriquecendo intermediário, o governo e os picaretas.
Por isso, quando estiver ok com a sua reserva financeira, comece a fazer seus aportes em renda fixa, e continue com os aportes em renda fixa até chegar o momento em que se sentir tranquilo o suficiente para dizer: pronto, o que eu aportar a partir de agora é dinheiro que posso perder, é dinheiro do tipo que se a bolsa despencar pela metade amanhã, eu não vou me preocupar, não vou entrar em pânico e nem sair vendendo nada na baixa.
Porque a bolsa, mesmo sendo o melhor investimento ao longo do tempo, quando ela desaba, por qualquer motivo que seja, sempre é o fim do mundo. Se pegarmos as piores crises mundiais só nos últimos 20 anos, com a bolha das empresas de internet, a crise do subprime em 2008, e a mais recente agora com a pandemia do Covid, quando a bolsas despencaram de forma vertiginosa, saiu gente a rodo do mercado financeiro justamente no fundo. E se tiver outra crise amanhã, o cenário é o mesmo. Gente iludida que coloca dinheiro que não pode perder na bolsa; sai na primeira queda.
É importante que isso fique bem claro, porque se trata de algo difícil até para quem já tem um bom tempo sendo sócio de boas empresas que é a forma mais adequada de acumular patrimônio na bolsa, e que iremos discutir logo mais. Nas primeiras vezes é aquela história, o frio na barriga se espalha pelo corpo todo, você se pergunta o que tá fazendo, começar a duvidar de si mesmo e aí bate aquela vontade de vender tudo.
Mas se você tem aplicações em renda fixa, fica mais fácil superar esses momentos. A sensação de pânico já não é tão sufocante a cada nova queda e com o tempo você começa até ficar avesso à ideia de fim dos tempos que os jornais martelam em toda nova crise que surgir.
Não, o mundo não vai acabar, e aconteça o que acontecer, você tem uma boa reserva de emergência, e isso já é o suficiente para ajudar a superar as adversidades com mais tranquilidade. Com um reserva de emergência, e um boa parte do seu patrimônio em renda fixa, você já sai na frente de muita gente durante esses momentos e isso faz de você uma pessoa mais consciente, com capacidade de agir e ajudar a família e todos aqueles que estiverem ao seu alcance.
Bom, e em quais títulos aportar?
Simples: Tesouro IPCA Principal para o maior prazo disponível a venda.
Com esse título seu dinheiro não perde poder de compra para inflação, porque o rendimento nominal dele é justamente a soma da inflação + algum trocado, que será o seu rendimento real.
Aí sempre aparece o primo rico que questiona sobre a escolha do prazo ser muito longo, e aí começa o papinho de “e se eu precisar do dinheiro, e tal”. E pior ainda é a besteira de querer adequar o vencimento para a suposta data da aposentadoria que é uma loucura total, pois a última coisa você gostaria, se realmente existisse o dia da aposentadoria, era de um tesouro direto vencer. Vai fazer o quê? Pegar todo o dinheiro e gastar de uma vez? Deixar ele em casa?
Enfim, todo dinheiro investido é seu e quanto maior o prazo dos seus investimentos melhor, pois pagará menos taxas e impostos ou ao menos irá demorar mais a pagar os impostos que é uma vantagem, pois está capitalizando juros sobre aquele valor até pagar. Quanto mais tempo ficar nos investimentos mais juros compostos, portanto escolha sempre o IPCA principal de maior prazo e pronto. Se algum dia precisar do dinheiro ele é seu. Óbvio que o ideal é levar os títulos até o vencimento, porque ao realizar o resgate antecipado do tesouro pode acontecer de haver perdas, mas se tiver Reserva de Emergência e diversificar em outros investimentos, isso será algo bem difícil de acontecer.
Se tudo estiver claro até aqui, o problema que vem agora é o seguinte:
Você já possui uma reserva de emergência, está satisfeito com a patrimônio acumulado em renda fixa, e agora? como faz para sobreviver na bolsa de valores, quais ações comprar?
primeiro, se você já sabe o que é um trade, esqueça, ou pare a leitura por aqui, ela não lhe serve. Se você ainda não conhece o trade, melhor ainda… porque a única coisa que precisar aprender sobre trade é o seguinte: a finalidade do trade é ter algum lucro ao comprar uma ação na baixa e vendê-la na alta. O problema é que não foi dado ao ser humano o poder de prever o futuro, então o que acontece na realidade consta de forma resumida nessa imagem:
Ah mas fulano vende um curso de day-trade que é ganho garantido... Se ouvir a palavra garantido, confere se sua carteira ainda está no bolso e corre, porque certamente é algum picareta querendo te sacanear. Se ainda não estiver satisfeito, em um estudo realizado por professores da FGV sobre a o day trade, a conclusão foi a seguinte:De que não faz sentido, ao menos econômico, tentar viver de day-trading. Das 19.696 pessoas que começaram a fazer day-trade em mini índice entre 2013 e 2015; dessas, 18.138 (92,1%) desistiram, umas mais cedo, outras mais tarde; das 1.558 pessoas que persistiram por mais de 300 pregões, tentando de fato viver de day-trading, 91% tiveram prejuízo e apenas 13 pessoas obtiveram lucro médio diário acima de R$ 300,00. Os dados também mostram que o desempenho do day-trader não melhora à medida que ele persiste na atividade (na realidade, piora).
E ponto final.
Então como é que o pequeno investidor sobrevive na bolsa?
Comprando ações para se tornar sócio de boas empresas. Porque no longo prazo, o preço da ação acompanha os lucros da empresa. Então se você se tornar sócio de boas empresas, a tendência é que seu patrimônio aumente.
E se a empresa não for boa? Aí vem outro detalhe, que é a diversificação. NÃO é para entrar na bolsa para ser sócio de UMA empresa, mas SIM para ser sócio de VÁRIAS. Porque se colocar tudo em única empresa, se o valor dela cair pela metade, isso representa 50% do seu patrimônio em renda variável. Agora se você tem uma carteira com 10 ações por exemplo, sendo que fez os aportes direitinho e em cada uma delas possui 10% do seu patrimônio em renda variável, se algo de errado acontecer com alguma delas, e o valor despenca pela metade, a perca de patrimônio é de apenas 5%. Daí a importância de diversificar, não só em ações, mas também em tipos de investimentos.
Ah mas o meus aportes mensais não permitem que eu saia comprando ações de 10 empresas diferentes todo mês... Pra quem está começando, basta ir comprando as ações que ainda não possui, e quando tiver aportes em todas as ações das quais você estudou e pretende ser sócio, todo mês você vai lá e aporta na que possuir uma menor fatia do seu patrimônio. Dessa forma você mata dois coelhos de uma cacetada só, pois evita comprar as ações que subiram muito de preço, pois a valorização delas faz com que aumentem as porcentagens do que representam no acumulado, ao mesmo tempo que equilibra a diversificação do patrimônio na carteira de ações.
Ok, já entendi que devo ser sócio de boas empresas, e diversificar meus aportes para acumular patrimônio através de cada uma delas. Mas como saber se uma empresa é boa?
Esqueça as indicações de analistas, de corretoras e de jornais especializados. Todo mundo aí vai está fazendo um trabalho para alcançar objetivos distintos dos seus. E ninguém melhor para cuidar do seu dinheiro, do que você mesmo. Então, para saber se uma empresa é boa, é a mesma coisa de saber como anda a situação financeira em sua casa, por exemplo. O importante é verificar se:
a) a empresa tem lucros consistentes;
Todo balanço anual até agora reportou lucros, as vezes ele cresce ou diminui um pouco, ou mais cresce do que diminui, mas de uma forma ou de outra a empresa dá lucro de forma consistente. E esse é um dos dados mais importantes para quem quer ser sócio de boas empresas, porque renda variável, já implica variações para baixo e para cima, aí muitas vezes acontece de uma empresa ter lucros consistentes e o preço da ação oscilar de forma negativa para analistas e a mídia noticiar que a empresa caiu tantos porcentos, que ficou desvalorizada e isso e aquilo, mas no final, se a empresa for boa, tanto faz se caiu 2, 5, 10% no dia, pois o que importa é se tem lucros consistentes, porque no longo prazo a tendência é que o preço acompanhe o lucro.
b) a empresa não tem rolo aparente;
A empresa é Novo Mercado, ou seja, possui boa governança e transparência e só emite ações com direito de voto, que são as chamadas ações ordinárias (ON). A empresa pode até não ser Novo Mercado, mas é preciso ter ações ordinárias ON, porque empresas que só possuem PN você não precisa nem perder tempo com elas. Sócio é quem tem ações ordinárias, é quando o código da ação termina com o 3 (exemplo: WEGE3, LREN3). Ação preferencial é rolo, pode esquecer.
c) a empresa não tem dívidas, e se tem é dívida controlada para gerar fluxo de caixa ou fazer alguma aquisição;
dívida controlada, é quando a dívida da empresa não vale nada quando comparada com o seu patrimônio líquido. Imagine a pessoa que possui um casa, um carro, tudo quitado, tudo no seu nome, e aí como todo filho de Deus ela vai para o trabalho e para isso ela sempre abastece o seu carro utilizando o cartão de credito porque ela acha mais cômodo, aí quando chega no fim do mês essa é a única dívida que ela possui. Será que para pagar essa dívida vai ser preciso vender o carro? a casa? Claro que não, e isso se chama dívida controlada. Agora, se o total da dívida da empresa for equivalente a boa parte do seu patrimônio, aí é fria, ou tem rolo. Mesmo quando empresas se endividam para fazer novas aquisições (compra de outras empresas ou ampliação estrutural/logística), a dívida resultante não pode ameaçar a sua liquidez patrimonial.
E quantas empresas?
De 12 a 16 empresas já é o suficiente para montar uma carteira de ações bem diversificada. Mesmo que ainda não tenha comprado nenhuma ação, o ideal é que sua carteira esteja montada, que você tenha em mente aquelas empresas das quais pretende se tornar sócio com base nos critérios que acabamos de abordar. Quando entrar na bolsa, entre devagar mesmo, compre uma ação, no máximo duas por mês, e quando possuir patrimônio em todas as ações, sempre destine os novos aportes para aquelas que estão para trás. Não precisa nem de planilha, porque basta logar na corretora para saber o quanto você possui em cada ação.
RESUMO:
1. O objetivo de quem deseja acumular patrimônio sendo um pequeno investidor, é ter mais paz, tranquilidade e saúde. A riqueza virá por consequência;
2. Ou dívidas ou acúmulo de patrimônio, as duas coisas não dá.
3. Tenha uma reserva financeira que seja o suficiente para cobrir seus gastos mensais por um período mínimo de 6 meses. É de suma importância que a reserva de emergência esteja em uma conta de imediata disponibilidade.
4. Faça aportes mensais para acumular patrimônio em renda fixa e variável. Defina o quanto pode ter acumulado em cada tipo de investimento. Diversifique seus aportes em renda variável, através de uma carteira com pelo menos meia dúzia de ações de boas empresas distribuídas em diferentes setores da economia.
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